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“42 mil empregos em risco”: Em SC, redução da jornada aumentaria custo do trabalho em 10%

Luís Delai by Luís Delai
25/02/2026
in Destaque, Economia
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Pacote federal é paliativo importante no apoio às exportadoras, diz FIESC

Foto: Fiesc

Jornada de trabalho de 44h para 40 horas semanais

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) estima que 41,4 mil vagas de trabalho seriam perdidas nos próximos 2 anos com a redução da jornada de trabalho de 44h para 40 horas semanais sem redução salarial no estado. Destes, 19,1 mil postos de trabalho seriam extintos somente na indústria, reflexo de um incremento de 9,7% nos custos do trabalho. O estudo foi entregue pela Federação à bancada catarinense na noite desta terça-feira (24).

Os setores de alimentos e madeira são exemplos de indústrias que seriam fortemente impactadas.

O estudo mostra o efeito negativo para diversas cadeias produtivas importantes para a pauta de exportações de SC e projeta uma queda de 1,07% nas exportações do estado, com destaque para carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%), além de recuo de 2,6% nas vendas externas de madeira bruta e de 2,4% nas de produtos de madeira.

O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, avalia que é preciso avançar no debate de flexibilizar a jornada de trabalho, mas não da forma como está sendo conduzido o debate sobre  o fim da jornada 6×1 por lei.

Competitividade ameaçada

O documento também aponta que o PIB do estado teria um recuo de 0,6% nos próximos dois anos. A projeção aponta que o PIB da indústria cairia 1,15% no período, com a região Oeste liderando as perdas (-1,39%). Esse resultado reflete não só o recuo nas vendas do estado ao exterior, mas também a perda de competitividade no mercado doméstico, com potencial aumento de importações.

Embora esse aumento de custos possa refletir em salários maiores – aumentando o consumo -, esse incremento não seria suficiente para compensar a perda de competitividade. Isso porque a FIESC estima um aumento médio de preços em SC de 2,64%, com setores mais intensivos em mão de obra, como a construção civil, apresentando aumento de 4,26%. Outros destaques são alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%), com impacto direto no consumo das famílias. De acordo com Seleme, outro efeito colateral, com reflexos sobre o emprego, poderia ser a substituição dos postos de trabalho por sistemas automatizados, sobretudo na indústria.

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